Jerónimo de Sousa no encerramento do Congresso

«As revoluções fazem-se<br> com organização e corações ardentes»

Ao encerrar um vibrante oitavo Congresso da JCP, Jerónimo de Sousa manifestou total confiança na capacidade dos jovens comunistas em serem não só «protagonistas do futuro mas obreiros deste presente».
«Lenine afirmava que as revoluções se fazem com organização mas também com corações ardentes. Reforcemos a organização, mantenham esses corações ardentes mesmo quando o vento cortante vos fustiga o rosto, mesmo quando sentimos a incerteza e a insegurança», afirmou o secretário-geral do PCP no encerramento do 8.º Congresso da JCP. Perante quase setecentos delegados, Jerónimo de Sousa manifestou a confiança nos jovens comunistas e na sua organização: «Estais mais fortes para ir para lá onde pulsa a vida, os problemas, as aspirações, lá onde pulsa o sonho sempre mais avançado do que a realidade.»
Perante a «nova ofensiva política e ideológica que pressiona para novas machadadas nos direitos dos trabalhadores e nas conquistas do 25 de Abril», o secretário-geral do PCP afirmou que alguns alimentavam a esperança de verem os comunistas portugueses «desanimados, abandonando objectivos e ideais, deixando cair o sonho, o projecto político, a acção revolucionária». Na tribuna do oitavo Congresso da JCP, desafiou: «Desenganem-se! Se têm dúvidas acerca do futuro do nosso Partido deviam vir aqui e ver o pulsar da JCP neste congresso.» Os jovens delegados reagiram com vitalidade às palavras do dirigente comunista, como que comprovando as suas afirmações.

Estamos prontos a assumir a luta

Para o secretário-geral do PCP, a realização do 8.º Congresso da JCP é «mais um momento alto da juventude comunista, um momento muito importante para todos os jovens comunistas». Jerónimo de Sousa, que assistiu aos dois dias de trabalhos, não teve dúvidas em considerar este congresso como um
momento para «retirar ensinamentos e conclusões, definir orientações para o futuro e apontar medidas de organização e direcção para o reforço da JCP e da sua dinâmica». Tudo para permitir, como aliás tem permitido, uma «maior capacidade de atracção, de luta e de proposta e se traduza numa ainda maior influência política» junto da juventude.
O mundo está hoje mais inseguro, mais injusto e menos democrático, afirmou Jerónimo de Sousa. Caem assim por terra, destacou, as «visões dogmáticas dos que ainda há pouco afirmavam e garantiam ser possível civilizar e democratizar o capitalismo, contrariando a sua natureza exploradora». Decretaram o fim da luta de classes na esperança de decretarem o fim dos partidos comunistas e da necessidade da sua existência, afirmou o dirigente do PCP: «Mais uma vez se enganaram e aqui estamos prontos a assumir a luta pela concretização do nosso projecto e do nosso programa para a sociedade portuguesa.»

A importância internacional do Congresso

«Seria injusto não destacar a importância internacional deste congresso carregado de energia, de confiança e de determinação em continuar a luta de gerações e gerações de comunistas», afirmou Jerónimo de Sousa saudando as delegações estrangeiras que, com a sua presença, «enriquecem e inundam de solidariedade internacionalista» este congresso.
Como um só, delegados e convidados levantaram-se aclamaram, com um imenso aplauso, as delegações presentes. As saudações repetiram-se quando o secretário-geral do PCP referiu a resistência palestiniana e iraquiana, os avanços revolucionários em Cuba e na Venezuela bolivariana, a luta dos jovens comunistas checos contra a ameaça de ilegalização.
Considerando que o «reforço e intervenção dos partidos comunistas, com a sua autonomia política, ideológica e orgânica, intimamente ligados às massas populares» é uma questão central dos tempos actuais, Jerónimo de Sousa realçou o papel da JCP no reforço do movimento anti-imperialista mundial, nomeadamente através do seu reforço próprio e das suas «elevadas responsabilidades no seio da Federação Mundial da Juventude Democrática».


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Cerca de 750 delegados participaram no congresso. Do total, 699 entregaram a ficha de presença. Destes, 55 por cento eram rapazes e 45 por cento raparigas. A média de idades era de 19,8 anos. Quanto à ocupação, 44 por cento são estudantes do ensino secundário, 24 por cento estudantes do ensino superior, 23 por cento trabalhadores e 9 por cento trabalhadores-estudantes.

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